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As tuas verdadeiras cores

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O nome do blogue era para ser True Colors , só não o foi porque quis que fosse em português e não me ocorreu nenhuma expressão do meu agrado com a palavra "cor". As cores servem de metáfora em muitas situações e nesta canção da Cyndi Lauper representam a verdadeira personalidade da pessoa, os sentimentos puros, os medos e fantasmas, tudo sem máscaras. Nos dias menos bons sabe bem ouvir palavras motivadoras, por isso aqui fica a letra e o vídeo para recorrer nessas alturas... True Colors Cyndi Lauper You with the sad eyes Don't be discouraged Oh I realize It's hard to take courage In a world full of people You can lose sight of it all And the darkness it's inside you Can make you feel so small But I see your true colors Shining through I see your true colors And that's why I love you So don't be afraid to let them show Your true colors True colors are beautiful, Like a rainbow Show me a smile then, Don't be unhappy, can't ...

Irmãs

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Irmãs com uma diferença de idades que não chega a 14 meses. A primeira nasceu ainda nos anos trinta e a mais nova inaugurou a década de 40, do século passado. Tinham mais dois irmãos, no entanto, a proximidade de idades entre elas unia-as mais do que em relação aos outros. Eram também só elas que tinham os olhos azuis, iguais aos do pai que falecera dois anos depois do nascimento da mais nova. Foram educadas apenas pela mãe mas cresceram num ambiente rodeado de criadas, dos empregados que trabalhavam nas suas terras, da família paterna e materna e de quantos-forem-possível-contar primos e primas que surgem sem aviso nas terras mais pequenas, onde os laços familiares são autênticas encruzilhadas. Viveram uma infância em casa abastada, em meio campestre, numa vila arraiana situada na região apelidada de celeiro de Portugal. Partilharam a cama, as roupas, as brincadeiras, as ídas para a escola e os segredos só delas, que agora  contam ainda com o entusiasmo característico...

Escapadela especial

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Já sentadas no avião, a minha amiga Chica da Navalha virou-se e disse-me: “Finalmente vamos viajar juntas ao fim de 30 anos de amizade” (para fora de Portugal, referia-se ela). Era mesmo verdade, custou mas foi, e ainda por cima numa ocasião especial, íamos visitar a nossa amiga Olhinhos , amiga também desde essa mesma longa data. Não, as minhas amigas não são desenhos animados :P estes são os nicknames que usamos só entre nós as três, e sim também tenho um, mas não vou revelar (mistério!). Quis o destino que a Olhinhos fosse trabalhar para o estrangeiro e quisemos todas as três encontrarmo-nos lá. Esta escapadela, de fim-de-semana-alargado, deu para matar saudades das conversas entre nós, onde há sempre gargalhadas a valer, deu para visitarmos os locais preferidos da nossa amiga e do seu mais-que-tudo , e deu para realizar o meu desejo de infância de ir à Suiça, por causa da Heidi (esta sim é desenho animado :P). No regresso, eu e a Chica da Navalha concluímos que deu para ...

Uma Arca cheia de surpresas

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Quero chegar ao fim do livro mas não quero que este acabe… A Arca de Victoria Hislop  , oferta da V. foi uma boa surpresa. A autora é conhecida por escrever sobre viagens. Os seus livros já me tinham sido aconselhados pela livraria de viagens -   Palavra de Viajante  .    Comecei a ler e estava a gostar por ficar a conhecer um pouco da história e da cultura grega.  A páginas tantas, a ação passa a desenrolar-se à volta dos tecidos, fitas, linhas, cores, etc., e é claro que ainda fiquei mais agarrada ao livro, pelos motivos que já expliquei noutro post sobre trapos. "Komninos gostava de passear pelo seu salão de exposições silencioso e de passar a ponta dos dedos pelos seus rolos de seda, de veludo, de tafetá e de lã. Conseguia saber o preço de fábrica por metro simplesmente ao toque. Este era o seu grande prazer. Para ele, estes tecidos eram mais sensuais do que a pele de uma mulher. Os rolo...

Quarteto de Heiner Müller nos Artistas Unidos

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Confesso que fui ver a peça em primeiro lugar por ser com o Ivo Canelas, em segundo porque há muito tempo que não ia ao teatro ver algo que não fosse comédia.  Só tinha visto o Ivo Canelas no cinema ou em séries de Tv e gostei sempre da sua representação. Em teatro, ali tudo à frente em tempo real, sem filtros, revalidei a minha opinião, é muito bom ator... ah e com muito estiloooo! Juntamente com a atriz Crista Alfaiate, os dois atores encarnam diversas personagens do enredo, sem alterarem o guarda-roupa. Apenas a mudança de posição dos adereços, a  saída e entrada do ator, a introdução de música (dos Rolling Stones) e a iluminação forte encarnada virada para os espetadores, marcam a mudança de cena. É um jogo de personagens para o qual o espetador é levado.  A peça de Heiner Muller, aqui encenada por Jorge Silva Melo, baseia-se na obra Ligações Perigosas de Choderlos de Laclos (quem não se lembra do livro ou do filme?) fala sobre sedução, vingança, amo...

Qual a cor do teu nome?

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Maria é amarelo, Frederico é verde e Luísa é azul. Não, não foi porque escolhi pintar as letras com qualquer programa, é porque é assim que vejo os nomes das pessoas, os meses do ano e os dias da semana, A CORES! Para quem lê isto pela primeira vez (se há alguém a ler :) pode parecer estranho, mas para mim também foi, ao descobrir por acaso, que nem toda a gente vê/sente desta forma, e que a isso se dava o nome de SINESTESIA. Achava que toda a gente atribuía, involuntariamente, uma cor aos nomes, aos meses e aos dias da semana, a funcionar como mnemónica, e por isso nunca tinha comentado com ninguém, achava eu que era normalíssimo! Qual foi o meu espanto, já aos meus vinte e tal anos, quando num documentário na RTP2 se falava de pessoas que viam/sentiam como eu. Fiquei boquiaberta, então isso não era normal? Isso tem um nome? Eu sou sinestésica? Holy shit, isto é giro! A cor que atribuo a um nome é a minha perceção, o mesmo nome pode ter outra cor para outro sinestésico. A memóri...

Memórias dos trapos

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Desde todo o sempre que ouvi na minha casa falar em tecidos. Era prática ver uma peça de roupa e identificar o seu tecido, apreciar a sua qualidade, a sua cor, o padrão e dar opinião se ficava bem ou mal.  Digo na minha casa, porque quer a minha mãe quer o meu pai teciam comentários sobre tecidos. Ambos trabalharam nos trapos, como se diz na gíria deste mercado. Atualmente, se virmos a etiqueta das peças de roupa contam-se pelos dedos duma mão os tecidos que lá estão indicados. Ou é viscose, poliamida, algodão, linho, lã e pouco mais. Lá vão os tempos em que os profissionais dos trapos distinguiam os vários tecidos. Nas minhas férias escolares, como qualquer criança, passava alguns dias no trabalho dos pais, e ajudava aqui e ali. Mais tarde, quando terminei o secundário, tive oportunidade de trabalhar com o meu pai numa loja que já não era a sua. Guardo memória da forma incrível que a minha mãe atendia o público, de haver clientes só quererem ser atendidas por ela, dava gosto ver...