Uma Arca cheia de surpresas

Quero chegar ao fim do livro mas não quero que este acabe…
A Arca de Victoria Hislop , oferta da V. foi uma boa surpresa. A autora é conhecida por escrever sobre viagens. Os seus livros já me tinham sido aconselhados pela livraria de viagens -  Palavra de Viajante .   
Comecei a ler e estava a gostar por ficar a conhecer um pouco da história e da cultura grega.  A páginas tantas, a ação passa a desenrolar-se à volta dos tecidos, fitas, linhas, cores, etc., e é claro que ainda fiquei mais agarrada ao livro, pelos motivos que já expliquei noutro post sobre trapos.

"Komninos gostava de passear pelo seu salão de exposições silencioso e de passar a ponta dos dedos pelos seus rolos de seda, de veludo, de tafetá e de lã. Conseguia saber o preço de fábrica por metro simplesmente ao toque. Este era o seu grande prazer. Para ele, estes tecidos eram mais sensuais do que a pele de uma mulher. Os rolos iam do chão ao teto e havia escadas que corriam ao longo de calhas pelos cinquenta metros do salão, para se poder aceder facilmente aos do cimo. Tudo estava organizado por cores, de uma ponta à outra, com a seda carmesim ao lado da lã escarlate e o veludo verde ao lado do tafetá esmeralda. Os seus vendedores eram responsáveis pelas secções de cores em vez de tipos de tecido específicos, e ele conseguia ver com uma olhadela se algum deles tinha feito asneira no seu inventário. A simetria e a perfeição deste espaço sem o pessoal a atravancar agradava-lhe de sobremaneira. O seu pai, de quem tinha herdado o negócio, sempre o tinha encorajado a vir aqui e a apreciar a ordem e a calma do salão sem empregados nem clientes."
...
"Quando a porta abriu, uma pequena campainha tocou. Era suposto alertar o lojista de que alguém vinha a entrar, mas ninguém apareceu. Em contraste com a claridade do exterior, o interior da loja era escuro, mas a fresta de luz que passava pela porta iluminava o brilho pálido dos botões de contas. Estavam dispostos na prateleira como rebuçados.
Katerina fechou a porta atrás de si e passou os dedos ao longo dos rolos de fita que cobriam as prateleiras. A sensação do cetim por baixo dos dedos era tão luxuriante que não resistiu a pegar num e a deixá-lo desenrolar-se nas suas mãos. A seguir ouviu um tossicar.
- Posso ajudar-te? – o tom dele era amável, suave. A voz de um avô. – Suponho que queiras qualquer coisa para o cabelo.
Ela ainda estava demasiado receosa para falar.
- Podes levar um bocadinho, mas se for mais do que isso vou ter de cobrar.
Katerina levou a mão ao cabelo. Estava em desalinho e não muito limpo. Talvez um bocadinho de fita o pudesse segurar melhor no sítio.
- Que cor é que querias? – perguntou ele, pegando numa tesoura enorme.
- Azul…
- Azul? – deu uma risadinha. – Tenho alguns. Talvez uns trezentos azuis diferentes. Azul-bebé, azul-índigo, azul-água, cerúleo, cobalto, safira, marinho, turquesa… Qual é o teu favorito?".


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