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Memórias dos trapos

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Desde todo o sempre que ouvi na minha casa falar em tecidos. Era prática ver uma peça de roupa e identificar o seu tecido, apreciar a sua qualidade, a sua cor, o padrão e dar opinião se ficava bem ou mal.  Digo na minha casa, porque quer a minha mãe quer o meu pai teciam comentários sobre tecidos. Ambos trabalharam nos trapos, como se diz na gíria deste mercado. Atualmente, se virmos a etiqueta das peças de roupa contam-se pelos dedos duma mão os tecidos que lá estão indicados. Ou é viscose, poliamida, algodão, linho, lã e pouco mais. Lá vão os tempos em que os profissionais dos trapos distinguiam os vários tecidos. Nas minhas férias escolares, como qualquer criança, passava alguns dias no trabalho dos pais, e ajudava aqui e ali. Mais tarde, quando terminei o secundário, tive oportunidade de trabalhar com o meu pai numa loja que já não era a sua. Guardo memória da forma incrível que a minha mãe atendia o público, de haver clientes só quererem ser atendidas por ela, dava gosto ver...