Soube pela vida

Sou uma pessoa emotiva, na alegria e na tristeza, ninguém escolhe, c'est la vie! Talvez por ser uma pessoa emotiva, gosto da força que algumas expressões transmitem, como por exemplo: lindo de perder o fôlego, paixão arrebatadora, do fundo do coração, vontade de vencer ou esta de algo que sabe pela vida. Mas atenção, só uso estas expressões quando de facto as sinto na pele, não as utilizo por dá cá aquela palha ou a torto e a direito :).

Posto isto, espero que seja credível que a primeira vez que apliquei este soube-me pela vida foi mesmo quando terminei a minha licenciatura.

Não segui os estudos superiores quando terminei o secundário por diversas razões, mas nunca foi por desinteresse e sempre fui completando a minha formação com outros cursos de curta duração. Nunca perdi a mira de frequentar a universidade, e quando tive oportunidade lá me lancei de corpo e alma (olha, outra expressão com carga emocional :).

Isto de continuar os estudos na vida adulta, ou como costumo dizer a brincar - estudar depois de velha - não é pêra doce. Foram 3 anos intensos, com inúmeros momentos de stress, de inseguranças, dúvidas e até de desespero. Conciliar a vida familiar, profissional e académica é assim como subir ao Monte Evereste e ter que voltar ao sopé a cada 5km. Desde estudar e fazer trabalhos pela noite dentro e ter que ir trabalhar no dia seguinte, ou quando muitas vezes em viagem de trabalho, ter que participar em fóruns online a partir do hotel à noite, estudar nos intervalos de conferências, houve de tudo um pouco, até ao técnico da operadora de Internet em minha casa, certo dia deveras atribulado, telefonar para a sede e dizer "a cliente tem um trabalho para entregar e não pode ficar sem serviço" :).

E não falo só por mim, é assim a vida de um estudante trabalhador, pois com as colegas que criei laços mais estreitos (e de verdadeira camaradagem) sei que era igual. Abdicámos de muitos momentos de vida social, pusemos amizades em modo stand by, vivemos crises familiares, fizemos malabarismos a ver se nenhum familiar caía para além da rede, assistimos a desistências do curso e infelizmente até à partida de uma querida colega.

A muitos surge a dúvida se a nível profissional valerá a pena o esforço de estudar tardiamente, quando já se enveredou por uma carreira, e nem sempre o mercado de trabalho valoriza este investimento do trabalhador. É um facto que para muitos, infelizmente, os estudos em nada alteraram a sua vida, mas não se pode afirmar que é sempre assim. Para muitos outros, a situação alterou-se para melhor, quer fosse na progressão de uma carreira, na mudança de profissão ou simplesmente para manter o emprego.

Agora quanto à realização pessoal, não me venham dizer que não foi bom adquirir mais competências, aprender matérias novas ou até consolidar conhecimentos, mas acima de tudo realizar um sonho, alcançar uma conquista, vencer uma batalha, chegar ao cume da montanha, tocar na parede depois de nadar quilómetros e dizer no final: soube-me pela vida!

Estudar em adulto tem outro sabor, é certo que o sacrifício é mais sentido mas a maturidade e a experiência também nos facilitam a forma como aprendemos, como selecionamos o que é mais importante.

Por estes dias faz anos que terminei o curso, e pode ser que este testemunho inspire alguém a iniciar ou a concluir os estudos.

Comentários

  1. Olá Cláudia,
    Obrigada por recordares momentos atribulados mas ao mesmo tempo gratificantes, momentos de muito stress, momentos de verdadeira camaradagem e amizade...
    É como dizes: "Estudar em adulto tem outro sabor", tem outra maturidade ;)
    Já tenho saudades! Obrigada pela amizade <3
    Beijinhos
    Margarida

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  2. Olá Margarida, agradeço-te também a camaradagem pura sem qualquer interesse escondido. Valeu mesmo a pena e são estes momentos que dão sabor à vida (assim como os teus cozinhados :) !
    Beijinhos

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